InterRail | Estrasburgo

segunda-feira, 5 de maio de 2008

19 de Março de 2008

"O teu avô veio falar comigo. Ele disse qualquer coisa mas eu não entendi nada. Então, foi cada um para o seu lugar..." - André. "Tá bem. Olha, que lindas paisagens! Vamos mas é tirar fotos!" - Tânia. Convém referir que o meu avó não foi, de facto, connosco. Este senhor de que falamos era apenas muito parecido com o meu avô que, infelizmente, já não é vivo...

"Estamos a chegar aos campos de Auschwitz!" - André. "Oh André, não brinques com coisas sérias... Tou mesmo a imaginar a Anne Frank enterrada numa destas casinhas... Campinhas... Covinhas, digo!" - Tânia. "Olha a floresta de Blair Witch! Viste ali a Bruxa?" - André. "Não... Onde?" - Tânia.

11h (e pico)

Estrasburgo


Esta linda cidade... Cheira a verde! É tudo muito limpo, muito ordenado, cuidado. O André diz que é uma óptima cidade para se viver depois dos 65... Eu cá acho que, apesar de encantadora, é, simultaneamente, uma cidade triste, fria, solitária...
Está frio e o nosso respirar deixa marcas no ar. Onde quer que entremos, existe aquecimento. A água é aquecida e tem um elevado teor de calcário... Estou com as mãos sequinhas! :( As pessoas andam todas de bicicleta e há metro por todo o lado! Até se confundem as linhas de metro com as estradas e os espaços pedonais... É uma confusão!

É uma cidade cultural, toda a gente tem ar de inteligente :), age com civismo e educação; desde o mais pequeno ao mais graúdo!
As típicas bandeirinhas dos países à saída da Gare de Estrasburgo... Agarrámo-nos à do nosso país, claro, toda a gente ficou a saber que somos portugueses! :) Era a bandeira mais bonita e era... ;) Mesmo assim, ainda estivemos toda a manhã a olhar com carinho para as do Reino Unido, da Finlândia e da Suécia.

InterRail #8 paragens insólitas... até Marselha!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Com uns minutinhos de atraso, quase a comprometer o nosso próximo comboio que nos levará a Marselha, estamos em Toulouse e mesmo em cima da hora lá conseguimos apanhar o dito cujo. Com destino a Nice (uma terra muito baril concerteza) este sim já se pode dizer que é um comboio confortável! Mesmo na altura certa para quem já “está a dar de si” depois de muitas horas dentro de carruagens. São quatro horinhas que nos esperam até Marselha. O sol finalmente aparece e isto começa a ficar bem mais giro! Pelo menos já se podem tirar fotos do comboio sem aparecerem as gotas nos vidros... A Tânia está neste momento prestes a dar-me um estaladão se eu não páro de escrever e não lhe der de comer. É melhor parar mesmo, eu conheço-a (e à mão também). Comentário final só para os 5 clios que passaram e deixaram a Tânia em pulgas: “5 clios!! Que giro André!” OK... Foram muitas horas a ver campos, vacas e pradarias. Vamos lá então encher o bandulho antes que ela comece a chorar.

15h00

“Tânia e André é totalmente pimba!” É esta a ideia que a Tânia tem de nós depois do almoço a bordo do comboio que, lisonjeiramente, esteve parado durante a nossa refeição devido a problemas na rede ferroviária, pelo que eu percebi, devido a um acidente qualquer, depois do nosso estimado e simpático maquinista anunciar algo como: “(...) accident (...) patience (...)”. Foram estas as duas palavras que eu apanhei e inteligentemente deduzi que algo de errado se passava. Ao fim de uma hora lá o comboio arrancou – provavelmente conseguiram trocar o pneu ao outro – e nós lá seguimos viagem rumo a Marselha. A carruagem continua “vazia”, apenas com dois velhinhos carregados de jornais, a devorarem toda a informação da imprensa francesa e um inglês (digo eu) com um ar muito estranho – passe a redundância.

InterRail | Marseille

terça-feira, 29 de abril de 2008

18 de Março | 19:40

Estamos em Marseille e sentimos que já vimos tudo o que há para ver no raio de 1km (no máximo!).
Ficamos sem comboio para Itália e, por isso, tivemos que fazer tempo até às 22h e "quelque chose" para "rumar" em direcção a Estrasburgo e, depois, já de manhã, para Basel.

Andamos desesperados atrás de sopa... Sem efeito. É uma vergonha. Esta gente só come fritos e apresenta preços caríssimos! Acabamos no McDonald's a pedir umas míseras saladas por 13,80€... Enfim! Que é como quem diz, "enfin".
O tabuleiro vinha cheio de restos de comida... Que nojice.

Temos de fazer phone calls! Entretanto, já compramos uns belos postalinhos!

A imagem que nos fica de Marselha:
  • WC sujos, sem papel;
  • Tudo se paga, até para... (piiiiiii);
  • Não há sítios decentes para comer uma bela de uma refeição;
  • As portas abrem-se "para cá";
  • Há estrangeirada por todo o lado, poucos são os franceses.
"O que não falta aqui? AMOR." - Tânia "y" André, a dupla pimba mas apaixonada. :)

É, sem dúvida, nestas alturas em que damos valor à cozinha portuguesa!

Fomos manjar um Sundae (qualquer cena de ananás). É a melhor coisa do jantar. Aliás, a única coisa que se aproveita! Bem podia haver disto lá em terras tugas...

Já fizemos comprinhas e estamos a caminho de mais uma noite no comboio para Estrasburgo.

Viemos à estação para fazer uns telefonemas mas... Sem cartão. Ainda tentamos com o MB mas nadinha mesmo. Lá compramos um cartão telefónico; sentimos que fomos chulados à força toda mas também não ligamos a isso. Quer dizer, ligamos; às pessoas... Ok. :)

"Brasileiros... São uns manhosos... Não confio neles." - André. Tivemos um rapazito com aspecto de 30 a "bater-nos um coro" a dizer que tinha 20... E que era da Legião Francesa. Era muito simpático mas tinha um ar de aldrabão... Quando viemos embora só nos lembrámos de revistar os bolsos e as mochilas. "Tudo ok, acho que não fomos fanados".

Mais uma vez, eu e o André em conversas pela noite dentro... Ele diz que lhe está a apetecer conversar... Eu nem consigo manter os olhos abertos sequer. "André, tu desculpa, amor, vamos mas é chonar... 1:30!" - Tânia.

Vai um senhor ao nosso lado com uma fisionomia semelhante à do meu avô. Tem cara de boa pessoa.

Boa noite. Até amanhã. (Com direito a reviradelas durante a noite...)

InterRail | Toulouse - Nice

18 de Março | 13:07

Toulouse - Nice

O comboio dizia "Nice". Concordo, em inglês. :) É bonito, luxuoso. Os mostradores são digitais, os bancos reclináveis, os apoios práticos e confortáveis. Somos tratados como verdadeiros príncipes! Desculpa lá, ó CP!
O André foi tirar fotos à engenheiro. :)
Não é o TGV mas anda rápido! Ainda assim só chegamos a Marseille daqui a 4 horas... Entretanto, vamos almoçar!

"É fixe ver a coisa a crescer..." - Tânia (em relação ao traçado do mapa).

É bonito e tal mas parou durante 30 minutos por causa do acidente... Nem nos queixamos muito porque assim deu tempo para almoçar, lavar os dentinhos e aplicar um cremezinho! Limpinhos e cheirosinhos. :)

Nota-se mesmo que estamos em França; vamos com um casal à nossa frente que, desde que entrou, não pára de devorar jornais e até mesmo as conversas entre eles são sobre as notícias que vão lendo... Discretos e silenciosos, como diz o anúncio (a recomendação à entrada do comboio...:)). NAICE! Ups, Nice.
"Eu confesso. Se a mentalidade/cultura em Portugal fosse assim, até nem me importava de ser jornalista!" - Tânia.

O André vai traçando o percurso no mapa. Tive a ideia de fazermos um gip animado c isso... Não era giro? :)

InterRail #5 RAP - efeitos secundários!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

11h26’12’’, pronto 13’’, 14’’, 15’’, bem vou tentar não me tornar obsessivo com as horas senão não escrevo mais nada e... (isto já é o cérebro a colar com tanto quilómetro em cima de carris :)) ahh o que eu ia a escrever é que são perto das onze e meia e estamos neste momento em Tarbes. Não faço a mínima ideia de onde isto fica, tirando Europa, vá lá França... Sul de França! A Tânia estava a tentar entreter-se com o livro do RAP “Boca do Inferno” mas desistiu por questões preconceituosas devido ao alto “escabeche” que as suas estrondosas gargalhadas estavam a causar na cabine. Alguém a ajude!! “A minha mãe é assim...” diz ela às gargalhadas depois de ler mais uma de RAP. Fica a curiosidade no ar...

E continua o homem do microfone a balbuciar. Escusas de insistir. Eu não te entendo! Vamos lá prosseguir com a viagem em silêncio sff a ver se nos entendemos e de forma a eu poder, tranquilamente, apreciar a bela paisagem que nos persegue (ou somos nós a ela...?)